
“Você tem uma ideia melhor do que está acontecendo do que apenas lendo relatórios”, disse Steve Mathews, do fundo de hedge Tudor Investment Corp., que participa da expedição pelo segundo ano.
Alguns analistas dizem que a expedição Pro Farmer tem um viés favorável ao produtor, publicando estimativas conservadoras que podem elevar os preços. Mas a consultoria disse nesta semana que suas estimativas ficaram acima das projeções do USDA na maioria das vezes nos últimos 15 anos.
Para chegar a essas projeções, 60 produtores e traders viajaram de Ohio a Minnesota. Outro grupo de 60 passou por Dakota do Sul, Nebraska e Iowa antes de se encontrar com o primeiro grupo em Minnesota. Os dados coletados resultam na estimativa nacional, que a Pro Farmer divulga nesta sexta-feira à tarde.
Esses participantes coletaram amostras em cerca de 1.400 campos, em Estados que são responsáveis por aproximadamente 70% da produção nacional de milho e de soja. Suas ferramentas mais avançadas eram rolos de corda de nylon usados para medições nas plantações de milho. Isso representou uma mudança na rotina de vários participantes, em um setor que está cada vez mais adotando ferramentas tecnológicas.
A Planet Labs, por exemplo, lançou uma série de pequenos satélites que alimenta empresas de processamento de dados e fundos de hedge com imagens dos campos. “Você não precisa mais ir até o campo e fazer medições”, disse Mark Johnson, cofundador e executivo-chefe da Descartes Labs, um dos clientes da Planet Labs. “Eventualmente, os computadores vão sempre acertar e tudo vai ser mais barato, mais rápido e mais fácil.
“A Descartes atualiza uma vez por semana sua previsão para a safra de milho. Na terça-feira, a companhia estimou a produtividade em 170,4 bushels por acre, abaixo da projeção do USDA, de 175,1 bushels por acre. Stanley Shi, um trader de Pequim em sua segunda expedição, disse que a Pro Farmer deve estimar o rendimento em cerca de 173 bushels por acre.
Alguns analistas dizem que a expedição é anacrônica. “É como se eu quisesse enviar uma carta para você em Chicago e pegasse um cavalo para levá-la até lá”, disse o presidente da corretora Prime-Ag Consultants, Chad Henderson. Mas essa opinião não encontra eco entre os participantes de 14 países e quatro continentes na expedição deste ano. “Ir até o campo significa ver algo que nunca poderia ver com tanta precisão em um modelo”, disse Gautier Maupu, da consultoria Agritel, de Paris. Maupu participou da expedição pela primeira vez, assim como Natakorn Sereeyotin, comprador de commodities do Charoen Pokphand Group, de Bangcoc. Sereeyotin usou seu smartphone para enviar fotos de espigas de milho e de soja para seu chefe. “Esse é exatamente o tipo de fontes alternativas de informação que estávamos procurando”, disse.